quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Um pouco da História de Serpa


Não é fácil, segundo os entendidos, concluir-se quando terá sido construído o primeiro Castelo de Serpa. A povoação, segundo se crê pelas descobertas arqueológicas que se tem vido a fazer, remonta a muitíssimos anos antes da conquista do Castelo pelos Portugueses.
De formato quadrilátero o Castelo Velho, situa-se do lado nordeste, junto à primeira cintura de muralhas. A Torre de Menagem é o seu ponto mais alto, logo seguido da Torre do Relógio, que em tempos foi parte do Castelo.
O dado histórico que conhecemos acerca da “Vila” de Serpa tem início na sua primeira conquista aos Mouros, por D. Afonso Henriques, em 1158 com a ajuda dos Cruzados.
Várias vezes perdida para os Mouros e outras tantas conquistadas, passa para a Coroa Portuguesa em 1232, no Reinado de D. Sancho II que concedeu o senhorio de Serpa a D. Fernando, seu irmão que nela viveu e que veio a ser conhecido pelo Infante de Serpa.
Após algumas atitudes contra a igreja D. Fernando foi excomungado pelo Papa Gregório IX.
Após o casamento de D. Fernando com Dª. Sancha Fernandez de Lara, filha de um Conde de Castela, ali ficou por aquelas terras, (Castela) nada se sabendo mais, acerca da sua vida.
Mais tarde com a suposta morte de D. Fernando passa a Vila de Serpa, para a posse da Coroa Portuguesa.
Até ao Séc. XIII, nas várias disputas havidas com Castela perdeu Portugal, as terras de aquém Guadiana, incluindo Serpa.
Em Maio de 1253, Afonso X de Castela inclui Serpa no dote de sua filha Beatriz , por ocasião do casamento desta, com Afonso III de Portugal, com a cláusula de que a posse definitiva só teria lugar quando o primeiro filho do casal completasse 7 anos.
Cláusula que não cumpriu. (!)
Foi já no reinado de D. Diniz, em 6 Setembro de 1295, que foi acordada a entrega definitiva da Vila e seu Termo ao Rei de Portugal.
Serpa, foi sempre um ponto de cobiça dos nossos vizinhos, Castelhanos, mais tarde Espanhóis,* tanto pela sua situação geográfica como por ser uma referência na Organização Militar do país. Não obstante as constantes razias que as terras deste Concelho sofreram ao longo da sua História, quer nas investidas da moirama, quer no período da Restauração, ou ainda, durante as invasões francesas, aquela que se tornou mais brutal, foi a perpetrada pelo Duque de Ossuna, durante a guerra de sucessão espanhola (1702/1712).
Durante o conflito, mais propriamente em 26 de Maio de 1707, o Duque de Ossuna assaltou e tomou pela força, após meses de resistência dos Portugueses, o castelo da Vila de Serpa. Um ano depois em 1708, quis a sorte que as tropas espanholas fossem obrigadas a retirar-se desta vila, contudo, não o fizeram sem causarem nas suas muralhas enormes danos. Testemunhos? Os grandes torreões rochosos, mesmo à entrada do Castelo que ainda subsistem, sendo um testemunho maior dos factos que então ocorreram.  Também uma das portas da muralha, a Porta de Sevilha foi destruída pelo Duque se Ossuna, na sua retirada da praça de Serpa, estas mantiveram-se até 1780, altura em que ruíram, parte dos torreões que a defendiam, até que, em 1871, caindo novo fragmento, foi deliberado apear o que restava da antiga muralha por se considerar um perigo para a saúde pública. Frente à Porta de Sevilha e na direcção da Rua da Fonte do Ortezim, a antigamente denominada de Rua Larga, tomou para si a designação de Rua das Portas de Sevilha, perpetuando assim a porta desaparecida.
O Castelo de Serpa foi classificado como Monumento Nacional por decreto de 30 de Janeiro de 1954.(* abro aqui um parêntesis para recordar que o país nosso vizinho só passou a designar-se por Espanha, após a unificação dos vários reinos que a compõem a saber: Astúrias, Leão, Castela, Galiza, Navarra e Aragão é portanto como país bem mais recente que Portugal)
As Muralhas de Serpa sofreram ao longo dos tempos atentados de destruição como pode ser confirmado em documentos existentes no Tombo da Câmara, como nos diz João Cabral, no seu livro “Arquivos de Serpa” e que cito: «Por proposta do vereador José Ricardo Cortez de Lobão foi pedida, superiormente, em 7 de Fevereiro de 1863, a demolição das muralhas que em grande parte ameaçam ruína» mais adiante refere ainda: «Também o Dr. António Joaquim Bentes, em 23 de Janeiro de 1864, na qualidade de presidente do Município, propôs e foi aprovado que "se peça ao Governador de Sua Majestade e concessão do forte denominado Castelo Velho e bem assim para poder destruir as muralhas que circundam parte da vila por se considerarem contrárias à saúde pública”» e ainda «Precisamente um ano depois o presidente lê dois requerimentos pedindo as mesmas demolições, o que se repetiu em Julho de 1877».
Numa outra página do mesmo livro afirma ainda João Cabral: «Em 1 de Fevereiro de 1917 foi deliberado demolir a parte da muralha, que estava em ruínas, à Porta de Moura». Sabe-se ainda que em meados do séc. passado foram as muralhas levadas a hasta pública para arrematação e posterior demolição, o que felizmente não se concretizou por falta de licitadores. Já nas últimas décadas do séc. xx sofreram as muralhas (ou parte delas) os trabalhos de restauro que se impunha, devolvendo aos vindouros a possibilidade de apreciar a sua beleza e magnitude.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Associação "Grupo Serpenses no Mundo - Tomada de Posse

 24 de Agosto de 2013
Joaquim Palma, Presidente da Direcção; Mariana Laneiro, Tesoureiro e Suzete Evaristo, Secretária de Direcção.
Os Serpenses podem estar certos que tanto a Direcção como todos os elementos que compõem a Mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal, que acabam de tomar posse, saberão honrar o cargo para que foram nomeados sem olhar a cores futebolísticas, partidárias ou crenças religiosas.
Assim o determina o artº 3º dos Estatutos da Associação e assim cumpriremos.
Trabalhar em prol do Concelho de Será é e será o nosso Lema.

Mesa da Assembleia Geral
Presidente, Francisco Montes; Vice Presidente António Xavier; Secretário, José C. Saraiva
Momento em que era apresentado o Plano de Actividades para o próximo triénio pelo
Sr Presidente da  Direcção
Embora todos sejam por demais conhecidos aqui fica a identificação e o cargo que ocupam, após tomada de posse, na Associação "Grupo Serpenses no Mundo"
Da esquerda para a direita: Gracinda Mangas, Relator no Conselho Fiscal; Noel Farinho, Presidente do Concelho Fiscal; Saraiva, Secretário da Mesa da Assembleia Geral; Xavier, Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral; Suzette Evaristo, Secretária de Direcção; Joaquim Palma (Gualkim di Palma) Presidente da Direcção; Mariana Laneiro, Tesoureiro e António Mangas, Secretário do Concelho Fiscal.
De salientar que embora todos os integrantes dos Corpos Sociais da Associação agora empossados, residam em Portugal Continental, representam o que poderão ser os "embaixadores" Serpenses no mundo.
Os membros deste grupo encontram-se a residir em vários pontos do país, desde o Algarve; Alentejo; Estremadura e Ribatejo, convergindo para Serpa sempre que seja necessário ou sintam de facto o chamamento da sua terra Natal.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Participação


A Associação " Grupo Serpenses no Mundo” tem a honra de participar a todos os Serpenses, a tomada de posse dos seus Corpos Sociais, que terá lugar na Assembleia Geral, a realizar no próximo dia 24 de Agosto, pelas 15,00 horas nas instalações da Junta de Freguesia de S. Salvador.
                                                                                 P'  Direcção

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Guadiana

Guadiana
tu que nasces em Espanha
como o teu irmão o Tejo
fazes preza tamanha,
ao regares o Alentejo

Guadiana assim és tu
um rio que muito me enleva
e encheste duma vez
a barragem do Alqueva

Os caminhos que percorres,
sinuosos ou planos,
dizem-me que não morres
garantem nossos Hermanos.

Por Serpa também tu passas
Lugar bonito alguém disse
do meu país lindas praças
e da minha meninice.

Tantas já são as saudades
de banhar-me no teu leito
aumentam-me as saudades
que guardo dentro do peito

JRRF

domingo, 18 de agosto de 2013

Serpa nas palavras de Saramago - in Viagem a Portugal

O viajante dormirá neste sitio de S. Gens, perto de Serpa. Há, aqui para trás, uma Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe. O que tem pra ver, vê-se por fora. Não é como a paisagem que diante dos olhos do viajante se alonga. Essa quer que a vejam por dentro. É uma distância de árvores e colinas quase rasas, simples cômoros que se confundem com a planície. Já se pôs o Sol, mas a planície não se apaga. Cobre o campo uma cinza dourada, depois empalidece o ouro, a noite vem devagarinho do outro lado, acendendo as estrelas. Chegará mais tarde a Lua, e os mochos chamarão uns pelos outros. O Viajante, diante do que vê, sente vontade de chorar. Talvez tenha pena de si mesmo, desgosto de não ser capaz de dizer em palavras o que esta paisagem é. E diz apenas assim: esta é a noite em que o mundo pode começar.  
………………………………………………….....................……..........................… 
Quando o viajante acordou e abriu a janela do quarto, o mundo estava criado. Era cedo, ainda vinha longe o Sol. Nenhum lugar pode ser mais serenamente belo, nenhum o será com meios mais comuns, terra larga, árvores, silêncio. O viajante tendo assim estas coisas estimado com o seu saber de muita experiência feito, pôs-se à espera de que o Sol nascesse. Assistiu a tudo, à transformação da luz, à invenção da primeira sombra e do canto da primeira ave, e foi o primeiro a ouvir uma voz de mulher, vinda do invisível, dizendo esta frase simples: «Vai estar outro dia de calor.» Proféticas palavras, como o viajante viria a saber à sua custa.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A minha primeira feira livre

A suspeita andava no ar há muito tempo e confirmou-se por esta altura do ano, quando a mãe informou a família que eu já podia ir sozinho à feira, afinal já era  crescido e o moço havia de se governar, como os outros. A partir daquele instante, os dias eram contados com alguma ansiedade pois tratava-se do primeiro dia em que seria eu a comandar as minhas decisões, sendo que tal evidência parecia não mais chegar.
Com o aproximar do dia, que se achou mais conveniente, talvez o terceiro dia de feira, encontrados os companheiros de aventura, contabilizou-se o capital aforrado e mais algum abono de de última hora lá partimos para a vila, não sem antes ter de ouvir as recomendações lá de casa,já de todos conhecidas à légua, que para além dos apelos ao saber comportar-se, incluíam ao mesmo tempo o imperativo dever de trazer as tradicionais lembranças da feira. Destas, faziam parte o cheiroso quilo de pêros, um pedaço de pinhoada e um objecto decorativo à minha escolha, porque não parecia bem vir da feira de mãos a abanar...
Era tamanha a ânsia, que partimos pela hora do meio-dia, tendo à chegada encontrada a feira numa espécie de dormência, dada a hora imprópria, devido à calma. 
Por ali andamos vagueando, sabendo eu ser obrigatório tomar a seguinte decisão: - Comprar agora (que ainda havia dinheiro) as lembranças lá para casa, sabendo que seria um estorvo andar até ao fim da festa de saco na mão... Assim, comprada a pinhoada, os pêros e uma boneca saída da barraca das argolas, faltava compor o ramalhete com a compra de um maço de tabaco "Sagres" que, embora consciente da gravidade da decisão, tal atitude representava mais um sinal de afirmação para se ser homem.
A feira era composta pela rua principal que entroncava no enfiamento entre o Jardim e o Cine-Parque Esperança e as outras ruas laterais de pouca importância para nós. Ao fundo "plantavam-se" as pistas dos carros, o carrossel e os circos com as suas estruturas de apoio.
A meio da tarde, já com a feira bem movimentada, havia que dar largas ao usufruto da liberdade conseguida, por isso, ora conduzia na pista de sentido único, onde havia menos emoção, ora na outra onde parecíamos voar em estradas de sonho. Aqui e ali via-se um ou outro chapéu na pista, de homens já "quentes" que se aventuravam a guiar tais máquinas, sendo tal, motivo de risada dos moços.Andar nestes solavancos, agarrado ao saco das lembranças, não era nada fácil, ainda por cima, a boneca podia partir-se....Contudo a felicidade parecia não ter fim e o grupo de vez em quando fazia uma incursão pelo carrossel com menos moção, onde saltávamos do lombo de uma girafa para o de um cavalo ou até agarrado à juba de uma leão que por ali ia passando.Contudo o que mais me admirava era a destreza com que os funcionários, em plena velocidade de ponta, iam até nós para receber os dez tostões da corrida e não caiam.
Já a noite ia alta, depois de ver como eles faziam, resolveu o grupo ir andar a última vez naquele sobe e desce, querendo eu experimentar a fineza de sair ainda com aquilo em andamento.Era fácil, bastava que quando fosse na parte rotativa, por um pé devagarinho na parte fixa da estrutura e... já está. Um trambolhão brutal que me levou escada abaixo, indo parar junto aos pés do policia postado à entrada do carrossel. Envergonhado e no meio de alguma galhofa dos outros, ficou-me na mão o saco vazio das lembranças. Foram encontrados no meio de algum restolho, a pinhoada, alguns pêros ofendidos e a boneca sem cabeça, estando esta não muito distante.
Acabou-se ali o estado de graça de um dia que estava a ser feliz e, nem as graçolas dos palhaços no Circo Popular, tinham a piada devida, nem a trapezista merecia as palmas concedidas, tal o estado de alma em que me encontrava, sabendo que em casa não me esperaria coisa boa, quando tivesse que mostrar as evidências do dia festivo.
As lembranças ofendidas, tal como a fatiota maltratada, foram recebidas com ar sério, ao contrário da fácil detecção do bafo mal disfarçado dos cigarros fumados durante o dia, que mereceram de imediato dois valentes sopapos nas ventas, em forma de correctivo por tamanha ousadia...!
estória auto-biográfica de
Francisco Montes